
Este postal chegou depois de eu ter passado todo o mês de Setembro na Grécia. A primeira metade a liderar uma viagem no norte e a segunda numa roadtrip de quinze dias no Peloponeso. Não é uma surpresa, porque já levo alguns anos de Grécia, mas é sempre uma agradável confirmação a variedade de paisagens, beleza, conforto e delícia deste país. E sem sair do continente para as dezenas de ilhas, que acrescentam camadas a esta diversidade.
Então, este postal traz-vos um exemplo paradigmático dessa pluralidade. A praia de Voidokilia, vista da colina do Palaiokastro. Num mesmo olhar, o mar cortado pelas paredes rochosas que fazem o estreito que confere a peculiar forma de concha à praia, um extenso sistema dunar que a separa da enorme lagoa Gialova, as montanhas de Messinia e Arcadia no horizonte. Nas nossas costas e debaixo dos nossos pés, invisíveis nesta imagem, a muralha da Fortaleza de Antigo Navarino cujas ruínas são principalmente da época da ocupação franca da Grécia, mas com fundações de um castelo grego muito mais antigo. Assistiu a batalhas desde a Guerra do Peloponeso no século V a.C. até à Guerra da Independência Grega de 1821. Subimos até ela por um trilho empinadísso, que passava também pela enorme “Gruta de Nestor”.
Voidokilia também está envolta em lendas. Na antiguidade, chamava-se Voufras, que significa “o lugar dos bois” e é mencionada na Odisseia. Segundo essa história, esta é a praia exata onde o navio de Telêmaco, filho de Ulisses, desembarcou quando viajou para o Peloponeso para visitar os reinos de Menelau e Nestor e saber do pai. No extremo norte da praia encontram-se as ruínas de um túmulo abobado que, diz-se, pertencia a Thrasymedes, filho de Nestor.
História, natureza, caminhadas e os melhores banhos de mar, em loop por várias semanas. Arrisco a dizer que faz as férias-viagem perfeitas.