Berlim e a Memória

Sinto-me assoberbada pelo peso da História. Com tudo o que de terrível aqui se passou, e de que sabia apenas metade…menos ainda. Com o o horror que se seguiu ao horror do Holocausto. Imagino (não, não consigo nem imaginar) o que tenham sentido as pessoas, ao achar que tudo tinha acabado e verem-se depois presas, censuradas, perseguidas, em dificuldades tais que arriscavam a vida para tentar passar O Muro. Tudo apenas porque viviam do outro lado de uma linha estabelecida por outros países.

Não sabia como tinha sido esta divisão, nem a extensão em que isso tinha afectado a vida dos habitantes logo no inicio, no esforço da reconstrução depois da guerra. Não sabia quanto desta cidade tinha desaparecido. Bolas (sim, tenho alguma vergonha em admiti-lo, mas é a verdade), nem sabia bem o que tinha sido exactamente a “cortina de ferro”, ou a verdadeira extensão do muro. Viajar tem esta coisa maravilhosa de me ensinar tanto do mundo e da História.

Então, fiquei a saber estas coisas todas e tantas outras. Demasiadas para reter agora, mas que vão aqui ficar, num cantinho da memória e ajudar-me a juntar mais peças no puzzle da História, que tenho ainda tão desmontado.

E os Alemães sabem-nas, também. Todas, antes e depois da guerra, das guerras, dos horrores. Discutem-nas, mantém a memória viva, ainda que se envergonhem dela. Porque é a única maneira de prestar homenagem, parece-me.

Os memoriais cumprem esse objectivo, também. E há-os pela cidade, mais simples ou elaborados, todos muito bem pensados. A Torre do Holocausto, com o seu vazio opressor. O Memorial às Vitimas da Guerra e Tirania, estátua de mãe e filho morto expostos às intempéries, como a humanidade. O Memorial aos Judeus Mortos da Europa, um jardim de colunas cinzentas, lápides/corredores no meio dos quais a cidade pára e se vê apenas o céu. As prateleira vazias do Memorial à Queima de Livros de 1933, que espreitamos de uma abertura no chão, no local onde aconteceu.  Placas no chão, com o nome de tantos desaparecidos no último sitio onde foram vistos e muitos, muitos outros.

Lembrar para não repetir. Seremos capazes, como povo, como humanos, de fazer isso? Olhando para o mundo de hoje diria que não. Olhando para Berlim sinto esperança.

 

(Toda esta História foi-me passada num fantástico passeio de 6 horas pela cidade com a Brewers Berlin. Recomendo vivamente. E peçam pelo Theo, que é uma fonte inesgotável de conhecimento e entusiasmo pela cidade.)

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