Diários do Kilimanjaro: Porquê?

Porquê?

Porque sim. Gostava de dizer que havia um qualquer motivo filosófico-metafísico, mas não. Nem nunca tinha pensado nisso.

Fomos três, todos com razões diferentes, nenhum com uma razão específica. O Aitor, talvez, tivesse um coágulo de pequenas razões. A leitura do “The Snows of Kilimanjaro” em idade impressionável, uma vontade antiga de se ver lá em cima  e o momento certo emocional e economico-laboralmente falando. O resto, foi acontecendo.

Ele perguntar-me se sabia de alguém que o tivesse feito: “sim”.

Eu estar a apaixonar-me por estar na montanha, querer fazer mais trekking e saber que este era um pico fácil (não técnico) : “se esperares por Janeiro, vou contigo”. Feito. 

A Ana apanhar-nos em planeamento: “Também vou”. Porque, nas palavras do Aitor, “Te apuntas a un bombardeo”. Mesmo que nos preparativos se assuste. Mesmo que pense mil vezes, antes e durante “Porque é que eu me meto nestas coisas?” Mete, e vai, e é (também) por isso que eu gosto dela.

Todos em forma, nenhum com grande experiência de trekking a sério. Eu era a mais rodada, e isso não é dizer muito.

Depois de uns meses iniciais de inércia, no início de Dezembro tínhamos tudo marcado.

Não se pode subir o Kilimanjaro em autonomia. Segundo a informação oficial, porque está situado dentro de um parque natural e por razões de segurança. Tem de se contratar uma agência. São eles que tratam das licenças e providenciam guias e toda a equipa responsável por nos fazer chegar lá acima.

Há dezenas. Nós optámos pela Alteeza porque tinham a rota que queríamos fazer – Lemosho – e porque nos pareceu que oferecia a melhor relação qualidade-preço considerando o material, experiência dos guias, regras de segurança e condições de trabalho da equipa. Foi uma excelente opção (detalhes nos próximos posts).

Também gostava de dizer que treinámos imenso, mas seria mentira. Isso não veio a provar-se problemático. Talvez porque nenhum de nós sofreu com a altitude, talvez porque o nosso nível de preparação física base seja já relativamente bom, talvez porque tivemos sorte. Não recomendo, tendo em conta a quantidade de gente que vimos em sofrimento montanha acima.

Então, porque sim, dia 19 de Janeiro de 2018, estávamos em Moshi a assinar termos de responsabilidade em como conhecíamos os riscos do que íamos fazer – lesões físicas permanentes e morte…coisinha pouca – e a pensar que agora sim, era real. No dia a seguir começávamos a subir o Kilimanjaro.  

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