Os livros nas minha viagens: Sri Lanka

A viagem ao Sri Lanka foi o meu primeiro contacto com a Ásia, em 2013. Éramos quatro, por 3 semanas, com um roteiro mais ou menos pensado, mas sem nada marcado e aberto às vontades e imprevistos. Ainda não fazia vida de organizar viagens, mas o bichinho esteve sempre lá e calhou-me principalmente a mim pensar no caminho. Para além do guia e do Google, fui à procura de livros que falassem sobre o país. Já não sei como cheguei a estes dois, mas sei que me marcaram muito.

Running in the family, Michael Ondaatje

Um livro de viagem, de pesquisa de origens, de tributo à família e de procura de si mesmo. Cabe tudo neste pequeno grande livro, até poesia. São relatos de idas ao Sri Lanka, deste autor canadiano-cingalês (mais conhecido por ter escrito O Paciente Inglês), onde conta as suas experiências e sentimentos no presente, enquadradas pelas memórias dos seus familiares. Ondaatje e a sua família são burgher, uma minoria de descendência holandesa ou portuguesa, que falam inglês como primeira língua, ocupando altos cargos políticos e na economia na época da colonização inglesa. A mãe emigrou para Inglaterra quando ele tinha 11 anos, levando-o. Ele não voltou a viver no Sri Lanka, indo apenas esporadicamente.

Há vários poemas escritos pelo autor espalhados pelo livro, mas não é só isso que o torna poético. A escrita dele é lindíssima, de um lirismo simples com o qual me relacionei. Transpira as emoções, sentimentos e o exacerbar dos sentidos que o país lhe transmite. Já o li quatro vezes. Uma antes de ir, outra enquanto lá estava, outra mal voltei e a quarta passado uns anos, porque lhe peguei enquanto arrumava estantes e não tive vontade de o largar.

The Cage: The fight for Sri Lanka and the last days of the Tamil Tigers, Gordon Weiss

Eu sabia que o Sri Lanka tinha estado numa guerra civil, que tinha terminado há poucos anos quando fui. Mas não tinha noção da dimensão do terror vivido não só durante os 26 anos dessa guerra, como no seu final. Este livro conta esse final. Em 2009, em apenas 4 meses, a guerra terminou brutalmente com um ataque sangrento numa praia, no nordeste da ilha. Ali, morreram milhares de civis inocentes, presos numa suposta zona tampão de não violência que foi bombardeada. Gordon Weiss era representante da ONU no país na altura e conta neste livro o que se passou, dando um enquadramento extenso de toda a história que levou a esse momento. É um livro muito bem escrito, que mostra a falta de empatia e a violência dos dois lados da guerra, o dos terroristas dos Tamil Tigers e o dos terroristas do governo. É um murro no estômago que nos expõe à hipocrisia dos conflitos étnicos e religiosos e aos meandros sórdidos da influência internacional. É duro, mas é um grande livro que ajuda a perceber a história do Sri Lanka.


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